Ensinando Historia Local no patrimônio
Escola Municipal de Ensino Fundamental Antônio Lemos – EMEFAL.
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Memórias coletivas de um patrimônio: falas populares sobre o documento/monumento Antônio Lemos a partir de entrevistas realizadas pelos estudantes da EMEF Antônio Lemos.

A educação patrimonial é entendida como um elemento fundamental integrado às práticas cotidianas dos sujeitos, concebendo-os como protagonistas na construção e apropriação do seu patrimônio cultural, incentivando, assim, a participação social em todas as etapas de preservação dos bens e manifestações culturais.

Como se pode perceber a partir das definições de Tolentino, a ideia do “conhecer para preservar” não foi o foco deste trabalho, esta deve ser tratada como uma consequência de uma construção de conhecimentos que tomam como principal personagem, os sujeitos e suas práticas cotidianas que se ligam a uma apropriação cultural, definida como pessoal e até que se torne coletiva.

Pensar neste tipo de abordagem que considera a participação, a relação com o objeto e a identidade dos sujeitos, me levou a adentrar nas vias da História oral que “se preocupa fundamentalmente com aquilo que o narrador viveu ou testemunhou. Ela registra relatos e interpretações sobre experiências próximas” (Santiago e Magalhães, 2015, p.44) porém, feita pelos meus alunos como parte do projeto, sob minhas orientações e minha supervisão como apoio para o levantamento de fontes orais que pudessem colaborar com a dimensão propositiva.

Diante disto, as entrevistas realizadas pelos estudantes, acabaram sendo uma das atividades mais importantes do projeto, eram as entrevistas realizadas pelos alunos com pessoas próximas, aqui pudemos trazer uma perspectiva dos moradores, ou seja, os sujeitos comuns sobre o monumento, suas vivências e a cidade de Santa Izabel, proporcionando aos estudantes a percepção da memória e História pertencentes aos mais velhos moradores da cidade. O roteiro da entrevista tinha como primeira parte os dados de identificação (Nome, idade, profissão, onde mora atualmente) e foi composta por 10 perguntas formais, a saber: 1 Há quanto tempo mora em Santa Izabel? 2 Você acha que pode considerar que ama Santa Izabel do Pará? 3 Qual sua relação com o Colégio Estadual Antônio Lemos? Você foi aluno, professor ou funcionário? 4 Você tem lembranças que envolvem este monumento que possa nos contar? 5 Comente como era a forma de ensino das internas do orfanato? Chegou a ter contato com elas? 6 Qual a sua proximidade afetiva com este monumento (CEAL) você considera que ama esta escola? 7 Você conhece uma História do orfanato que possa nos contar? 8 Quais significados você considera que existam neste monumento para a História de Santa Izabel do Pará? 9 Você acredita que há como melhorar as condições do colégio centenário, hoje? 10 Você acha importante conservar os monumentos históricos para que se tenha memória em Santa Izabel do Pará?

Figura: Discente Andressa e sua equipe entrevistando a coordenadora Claudete Brito.

Fonte: acervo do autor.

Figura: Discentes Natália, Mayk e Isaac da equipe 1 entrevistando a professora Glebizande Brito.

Fonte: acervo do autor.

O trabalho com entrevistas pôde colaborar com a retirada de verbetes obtidos das pessoas entrevistadas pelos discentes, como forma de demonstração da ideia de pertencimento e sentimentalismo que existe entorno do projeto.

Vejamos agora, algumas das falas sobre o monumento que é o Colégio Estadual Antônio Lemos – CEAL, que representam memórias de pessoas que conviveram e vivenciaram as mudanças entorno do patrimonio:

“As lembranças que eu tenho lá são dos professores maravilhosos que tive, dos amigos que fiz lá dentro, eu tenho lembranças das excursões que eu fiz dentro do próprio Colégio, que a gente sempre fazia isso, alguns professores pegavam a gente e levavam pra conhecer um pouquinho da história do local pra gente interagir um pouco.”

Emillay, ex-aluna do CEAL, 2024

“minha sogra, ela é ex-aluna de lá do Colégio Antônio Lemos, e assim, ela me conta que na época, era pago um valor pra que um aluno fosse internado lá e passava um período de tempo bem grande e o cuidado das freiras e lá ela aprendia a costurar, aprendia a cozinhar, além do ensino tradicional, que é escrever, e outras coisas, ela tinha esses ensinamentos, de aprender a escrever e ler até a costurar e bordar, a fazer essas atividades domésticas, tinham esses ensinamentos que eram bem legais para a construção da educação da mulher naquela época.”

Emillay, ex-aluna do CEAL, 2024

“São muitas histórias, muitos eventos que agente passaria o dia inteiro contando, mas é pouco tempo, mas no geral é uma grande alegria fazer parte, né, ter feito parte como estudante e fazer parte a alguns anos já como servidora pública daquele espaço, um espaço rico em história em aprendisagem, enfim. Eu acredito que praticamente todos os habitantes de Santa Izabel do Pará, se não conhecem ainda deveriam conhecer o espaço, um espaço muito rico!”

Claudete Brito, ex-aluna e atual diretora do CEAL, 2024.

“Na época que eu estudei, os estudantes regulares, ou seja, o internado, somente pra estudar na escola, eles não tinham contato com as internas, era assim tudo muito separado, tudo muito restrito, as irmãs ficavam sempre muito atentas e os alunos não podiam adentrar por exemplo alguns espaços que somente as freias e as internas frequentavam dentro do prédio, entendeu, então a gente não tinha contato, a gente não falava com as internas, a gente só falava com as irmãs que eram diretoras, assim, muito pouco.”

Claudete Brito, ex-aluna e atual diretora do CEAL, 2024.

É uma história muito bonita que eu luto todo dia pra preservar, não como como moradora de Santa Izabel, mas como servidora como ex aluna, e eu acredito assim, que a maioria dos moradores de Santa Izabel pensão da mesma forma, porque assim, a gente tem que trabalhar com pertencimento, e eu observo isso até nos alunos, os alunos do Colégio Antônio Lemos , como eles tem assim um respeito pela história, um amor por toda a história, e isso é muito importante, criar principalmente na comunidade escolar esse sentimento de pertencimento porquê e daí que vem o respeito a  preservação o cuidar e de tudo isso aí.

Claudete Brito, ex-aluna e atual diretora do CEAL, 2024.

“A minha proximidade com esse colégio é grande eu considero que amo ele sim ele faz parte de um bom período da minha história né lá eu pude criar muitas conexões né tanto com a história da cidade né do nosso município pessoas mesmo né as freiras colaboraram muito com educação me ensinaram muitas coisas também sem contar os professores né puderam estar pressionando naquele período.”

Erick Fernandes, ex-aluno do CEAL, 2024

“minha mãe também estudou no passado e ela contava que na época que ela estudava no colégio já tinha uma parte que era interno e uma parte aberta só para mulheres nesse período é eles comentavam que as moca que viviam lá né ela era tinha uma educação muito rigorosa né eles eram bem rígidos mas assim eles eram bem assistidos né as irmãs elas tanto né ensinavam ela questão da educação como a questão dos bons modos e tinha né tinha as palmadas ele tinha de cabeça eu não vou conseguir me lembrar muito dessas histórias mas de forma geral os comentários que eu me recordo é que isso foi muito produtivo para a cidade no sentido de poder né além de abrigar a as moças no sentido de educá-las né prepará-las para o futuro lá na época as pessoas conseguiram se formar até o magistério então era muito importante”

Erick Fernandes, ex-aluno do CEAL, 2024

“Então, antes de adentrar aquele portão que até hoje existiu lá, ficava uma freira, uma de cada lado, porque só passava de dois em dois, tínhamos que levantar a beira da calça, só crente mesmo que usava saia, católico não usava calça não porque não queria ser chamada de crente. Aí levanta a beira da calça dos estudantes, aí se ela visse só dois dedos ou três dedos de meia, ela tinha certeza de que a meia estava suja. Porque a meia ia está tudo dobrada em baixo do pé aí eu não sei a razão. Acredito que tenha sido por isso. Teve um tempo que todo dia ela estava no portão tanto de menina, tanto de menino, uma de cada lado. Às vezes era tipo como uma régua só para levantar, ela nem pedia para você levantar, ela mesmo levantava como uma régua. Depois de um tempo não muito tempo, acredito que foi um ano depois inventou-se de mulher usa meia preta, meia preta para todo mundo, tanto para homem, tanto para mulher.”

Lislene Lobo, ex-aluna do CEAL narrando algumas memórias sobre o período do internato Antônio Lemos, 2024.

Por ser uma escola centenária, ela contribui significativamente com a educação tanto dos Izabelenses, como também das cidades vizinhas.

Lislene Lobo, ex-aluna do CEAL sobre a contribuição do Antônio Lemos para a sociedade izabelense, 2024.

Na minha visão elas eram bem disciplinadas, elas estudavam, rezavam e praticavam atividades física. Eram iguais a nos. Contato visual, sim, várias vezes. Porém, falar, sabendo que que era interna, uma única vez. A gente via muito elas nas salas de aula como qualquer outra aluna e desfile escola, pra gente ver essas meninas.

Lislene Lobo, ex-aluna do CEAL sobre a educação das internas, 2024

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